
Juntar coisas velhas, que foram parte importante do passado, seja para relembrar ou mostrar aos outros que não viveram naquela época, são costumes de muitas pessoas. Esse tipo de cultura, muitas vezes, é responsável pela criação dos conhecidos museus, que levam muitos curiosos a esses locais. No Povoado de Caiçara, a 06 km de Capim Grosso, também há um local de visitação como esses, mas o que está em exposição são coisas nada convencionais, se trata do “Museu da Cachaça”. O Bar do Bidú, como também é conhecido, abriga uma grande variedade de cachaça, muitas que nem são mais fabricadas, dispostas em prateleiras feitas pelo dono do estabelecimento, Ricardo Ferreira de Carvalho (Bidú), 63 anos, com madeira de umburana, sustentado por flechas de araçá e caçutinga, que dá um ar rústico ao lugar. Seu Bidú, em entrevista ao FR, contou que chegou ao povoado em 1957, para trabalhar como lavrador, porém teve uma ideia de montar um barzinho, “fui comprando uma garrafa, depois duas, depois já dava pra comprar uma caixa e aí foi crescendo”, narrou. No bar há bebidas com mais de 40 anos de fabricação, estão entre as mais antigas a Serra Grande, Jacaré, Altiva, Baiúca, Moenda, Camarão, Talo Verde, Da Kana, Caninha da Roça, 3 Fazendas e Saborosa, além de algumas com nomes diferentes, como Chora Rita. Por serem muito difíceis de ser encontradas, cada garrafa é vendida em média por 50 reais. O que faz o local ainda mais especial é a famosa “cachaça da cobra”, invenção do próprio Bidú, feita com cobras ainda vivas, que são despejadas dentro de uma garrafa de aguardente e dentre alguns dias já pode ser consumida, “vou no mato caçar e coloco na garrafa ainda viva, para não perder o veneno, que dá o gosto”, salientou Bidú. As bebidas são feitas com variadas espécies de cobras, entre elas jaracuçu, jararaca, coral, verde, d’água e até salamandra. Segundo ele, as pessoas acham interessantes, mas são poucos os corajosos que bebem. Sua mais nova experiência é uma garrafada com baratas, que ainda não foi experimentada. Outra coisa interessante no bar é uma placa que chama atenção dos visitantes, nela estão escritos vários nomes de pessoas que estão em dívidas com o bar e demoram a quitar, muitos brincam com a situação, dizendo que é o SPC do Ricardo. Criatividade é o que não falta a seu Bidú, ainda que um tanto excêntrica, e por isso é uma das figuras marcantes do povoado e que deixará seu nome na história de Capim Grosso.